GLOBAL: No segundo trimestre de 2026, o GMV da Shopee cresceu 28,4%, enquanto a receita do mercado central subiu 65,6%, subindo de cerca de 8,6% para 11,1% do GMV, um aumento de 250 pontos-base. O mercado interpretou isso como monetização finalmente funcionando.
A taxa de aproveitamento mais ampla da Sea atingiu 14,6%, incluindo serviços logísticos e de fulfillment e produtos pertencentes e vendidos diretamente pela Shopee. A receita principal do marketplace exclui essas partes, deixando principalmente o que os vendedores pagam para transacionar e ser visto.
A receita publicitária aumentou mais de 70%, adicionando cerca de 90 pontos-base à expansão geral. Os restantes 160 pontos-base vieram principalmente de taxas de transação.
O BRASIL fornece a fonte visível mais clara dessa expansão. O segundo trimestre foi o primeiro trimestre completo sob a tabela de taxas de março, que aumentou as cobranças em todas as faixas de preço e removeu o limite de comissão de BRL 100. O mesmo GMV agora gera uma receita maior por transações antes que o vendedor compre um único anúncio.
Os pedidos GLOBAL cresceram 27,5% contra o GMV de 28,4%, deixando a média dos ingressos quase estática. No BRASIL, Shopee relatou um aumento no tamanho das cestas. A combinação importa: mais valor por cesta agora flui por meio de uma estrutura de comissões sem teto.
Mas a retomada de março reduziu grande parte da diferença de custo de venda da Shopee com o Mercado Libre. E apenas semanas depois, a Full+ começou a reembolsar até dois pontos de comissão em anúncios elegíveis, em troca do roteamento do estoque pela rede de atendimento da Shopee.
Esse desconto é o primeiro sinal de que a Shopee pode estar se aproximando de seu próprio teto de comissão no Brasil, um teto ainda definido pelas taxas de venda da MELI. Preservar sua vantagem de custo do vendedor limita até onde a Shopee pode aumentar as comissões sem que a MELI precise agir primeiro.
A aritmética é menos lisonjeira: na taxa de captura do ano passado, o GMV do segundo trimestre teria gerado cerca de USD 950 milhões a menos em receita do mercado principal, mas o EBITDA ajustado da Shopee subiu apenas USD 28 milhões. O aumento da monetização está sendo gasto quase tão rápido quanto é coletado.
A comparação com o Mercado Libre se torna mais clara à medida que as plataformas cruzam o território um do outro por extremidades opostas. A MELI desceu para o território de baixa demanda do Shopee, com margens disponíveis para serem consumidas, e as queimou: sua margem de contribuição direta no BRASIL caiu de 15,6% para 9,9% em um ano. A Shopee está subindo para o reduto mais alto da MELI sem uma margem de lucro comparável, então expandiu a monetização dos vendedores primeiro para financiar o adiantamento.
A pressão agora está em outros lugares: a MELI está consumindo lucratividade já construída sem criar uma fonte duradoura para reabastecê-la, enquanto a Shopee está testando quanto crescimento adicional pode financiar por meio de taxas de venda mais altas, sem construir materialmente sua margem de lucro.
O teto da Shopee no Brasil não é mais apenas o que os vendedores podem absorver. Também é o que a MELI decide cobrar por si só. Nenhum dos dois pode aumentar muito mais as taxas do vendedor sozinhos. Então, quem age primeiro?


